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Preguiça comum: Bradypus variegatus

Preguiça de garganta marrom (Bradypus variegatus)

 Ordem: Pilosa Família: Bradypodidae Nome científico: Bradypus variegatus

Nomes populares:

- Inglês: brown-throated sloth, brown-throated three-toed sloth

- Espanhol: guasa, perezoso bayo, perezoso grisaceo, perezoso tridáctilo, perico ligero

- Português: preguiça de garganta marrom, preguiça comum, preguiça de óculos

Distribuição: A preguiça de garganta marrom ocorre desde as Honduras na América Central até o Brasil na América do Sul. Na América do Sul ocorre desde a Colômbia e Equador, Noroeste e Sul da Venezuela, até o leste do Peru, Bolívia e Paraguai e norte da Argentina, mas está provavelmente extinta nesta região. No Brasil, a preguiça de garganta marrom ocorre nas florestas desde o Rio Branco e norte do Rio Amazonas até ao sul do país (Moraes-Barros et al., 2010). A norte do rio Amazonas é simpátrica (ocorre em conjunto) com a preguiça de garganta amarela (B. tridactylus) e no centro da Mata Atlântica co-ocorre com a preguiça de coleira (B. troquatus; Moraes-Barros et al., 2010; Hirsch & Chiarello, 2011). Atualmente, a provável ocorrência da espécie nas áreas florestadas da Caatinga, Cerrado e Pantanal necessita ser confirmada. Há registros de preguiça de garganta marrom desde o nível do mar até aos 2.400 m (Ureña et al., 1986).

Hábitat: A preguiça de garganta marrom ocorre em floresta mésica tropical, foresta semi-decidual, florestas de altitude e de terras baixas e plantações de cacau na Costa Rica (Vaughan et al., 2007).

Biologia e ecologia: Dados biológicos são ainda escassos para a preguiça de garganta marrom, uma vez que este animal é de difícil observação, já que se mantém a maior parte do tempo na copa das árvores. A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo que os machos possuem uma mancha amarela e negra nas costas. Ao contrário de outras espécies de preguiça, o tamanho entre machos e fêmeas parece não diferir (Silva et al., 2014). Na natureza a razão entre machos e fêmeas é geralmente de 1:1 (revisto por Hayssen, 2010; Silva et al., 2014). Esta espécie tem somente uma cria por gestação, em média a cada 19 meses (Bezerra et al., 2008). O período de gestação dá-se de 4 a 7 meses. Os nascimentos parecem ocorrer preferencialmente na época das chuvas em algumas regiões, embora haja evidências de variação dessa sazonalidade em outras (revisto por Hayssen, 2010; Silva et al., 2014). A densidade populacional é também variável, ocorrendo desde 2.12 ind/ha (Queiroz, 1995) a 8.5 ind/ha (Montgomery & Sunquist, 1975) em grandes regiões florestadas. Em habitats antropizados, como parques e jardins, a densidade populacional pode ser consideravelmente maior, chegando até aos 12,5 ind/ha (Manchester & Jorge, 2009; Silva et al., 2013). Assim, a preguiça de garganta marrom parece ter um sistema social geralmente solitário, que em áreas antropizadas pode se tornar gregário (Ballesteros et al., 2009; Vaughan et al., 2007; Silva et al., 2013).

Dieta: Sua alimentação é predominantemente composta por folhas, sobretudo folhas jovens, de dezenas de espécies de árvores. No entanto, cada indivíduo tem uma dieta muito especializada em somente algumas espécies de árvores (revisto por Chiarello, 2008 e Hayssen, 2010).

Ameaças: A principal ameaça para a espécie é o desmatamento, e consequente fragmentação e perda de habitat. Além disso, a preguiça de garganta marrom é caçada e usada para alimentação, fins medicinais ou como animal de estimação (Noss et al., 2008; Moraes-Barros et al., 2014).

Status de conservação: A preguiça de garganta marrom está listada pela IUCN como LC ( Pouco preocupante), devido à sua vasta distribuição, estando em inúmeras áreas protegidas (Moraes-Barros et al., 2014). No entanto, estudos moleculares e etológicos parecem indicar diferenciação populacional importante (Silva et al., 2014; in prep.)

Curiosidade: A pelagem da preguiça de garganta marrom, assim como a de outras preguiças do género Bradypus, é o habitat ideal de inúmeras algas, ectoparasitas e invertebrados, incluindo traças e escaravelhos com os quais estabelece relações simbióticas (revisto por Hayssen, 2010).

 

Referências

Ballesteros J, Reyes K, Racero J 2009. Estructura poblacional y etología de Bradypus variegatus en fragmento de bosque seco tropical, Córdoba - Colombia. Revista MVZ Córdoba 14: 1812-1819.

Bezerra BM, Souto AS, Halsey L, Schiel N 2008. Observation of brown-throated three-toed sloths: mating behaviour and the simultaneous nurturing of two young. Journal of Ethology 26: 175-178.

Chiarello AG 2008. Sloth ecology: an overview of field studies. In: Vizcaíno SF and Loughry WJ, eds. The biology of the Xenarthra. Gainsville: University Press of Florida Gainesville. 269-280.

Hayssen V 2010. Bradypus variegatus (Pilosa: Bradypodidae). Mammalian Species 42: 19-32.

Hirsch A & Chiarello AG 2011. The endangered maned sloth Bradypus torquatus of the Brazilian Atlantic forest: a review and update of geographical distribution and habitat preferences. Mammal Review 42: 35-54.

Queiroz HL 1995. Preguiças e guaribas: os mamíferos folívoros arborícolas do Mamirauá. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Diretoria de Unidades de Pesquisa Sociedade Civil Mamirauá, Brasília.

Manchester A, Jorge W 2009. Biological data of a population of sloths (Bradypus variegatus) in a square of Teófilo Otoni, Minas Gerais, Brazil. Naturalia 32: 81-86.

Montgomery GG & Sunquist ME 1975. Impact of sloths on Neotropical forest energy flow and nutrient cycling. Springer.

Moraes-Barros N, Chiarello A, Plese T 2014. Bradypus variegatus. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2015.2. www.iucnredlist.org

Moraes-Barros N, Giorgi AP, Silva SM, Morgante JS 2010. Reevaluation of the geographical distribution of Bradypus tridactylus Linnaeus, 1758 and B. variegatus Schinz, 1825. Edentata 11: 53-61.

Noss AJ, Cuéllar RL, Cuéllar E, Vizcaíno SF, Loughry WJ 2008. Exploitation of xenarthrans by the Guarani-Isoseño indigenous people of the Bolivian Chaco: comparisons with hunting by other indigenous groups in Latin America, and implications for conservation. In: Vizcaíno SF and Loughry WJ, eds. The biology of the Xenarthra. Gainsville: University Press of Florida Gainesville. 244-254.

Silva SM, Summa JL, Summa MEL, Geraldi VC, Belluci M, Klefasz A, Morgante JS, Moraes-Barros N 2014. Contribution of wildlife governmental centers to conservation and biological study of sloths Bradypus variegatus. Natureza & Conservação - Brazilian Journal of Nature Conservation 12: 79-85.

Silva SM, Clozato CL, Moraes-Barros N, Morgante JS 2013. Towards a standard framework to describe behaviours in the common-sloth (Bradypus variegatus Schinz, 1825): novel interactions data observed in distinct fragments of the Atlantic forest, Brazil. Brazilian Journal of Biology 73: 527-531.

Ureña HM, Chacón CR, Faerrón AS, Lizano ST 1986. Hallazgo de Bradypus griseus y Choloepus hoffmannii (Edentata: Bradypodidae) en tierras altas de Costa Rica. Revista de Biologia Tropical 34: 165–166.

Vaughan C, Ramírez O, Herrera G, Guries R 2007. Spatial ecology and conservation of two sloth species in a cacao landscape in limón, Costa Rica. Biodiversity and Conservation 16: 2293-2310.



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